O de sempre
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Sábado, Junho 28, 2008
Oi, tudo bem? Quantos anos? Qual sua intenção?
posted by chapeiro 4:01 PM
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Domingo, Agosto 12, 2007
Fazia tempo que não lia isso. Que nem lembrava deste blog. Escrevi o último post nove meses atrás e depois bati a porta, fui comprar cigarro e nunca mais voltei. Se em vez de ter escrito um post, naquele dia eu tivesse transado com uma mulher sem camisinha -- supondo que ela estivesse em seu período fértil --, agora estaria nascendo um bebê. Ainda bem que só escrevi uma porra de um post.
posted by chapeiro 8:23 PM
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Terça-feira, Novembro 07, 2006
Se a noite for longa, terei menos tempo para dormir, uma vez que meu horário para acordar é fixo. Se tiver menos tempo para dormir, terei sono mais cedo no outro dia. Se tiver sono mais cedo, dormirei mais cedo. Se dormir cedo, a noite será curta. Se a noite for curta, o sono será longo. O sono sendo longo, dormirei mais. Dormindo mais, vivo menos tempo consciente. Vivendo menos consciente, estou vivendo menos, se partir do princípio básico de que morrer é perder a consciência, enquanto viver é ter consciência, por mais básica que seja: quem sou, onde vivo, o que faço, onde fica o banheiro, se mastigo de boca aberta ou fechada etc. Resumindo, se a noite for longa, dormirei menos -- em compensação, terei mais tempo consciente. Viverei mais.
posted by chapeiro 8:59 PM
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Sabe aquela piada que começa bem, vai se desenvolvento e, quando todos estão atentos, esperando pelo desfecho, o narrador esquece o final? Assim é este blog. Começou como alguma coisinha metida a besta e se perdeu no meio do caminho. Culpa do autor, sem dúvida, que tenta escrever dando voltas e acaba fazendo apenas isso: dando voltas, sem chegar a lugar algum. Porque as coisas são pouco simples para ele. Mas ele só consegue escrever de maneira simplista. É meio estranho isso, mas é real. Vive cheio de dúvidas o tempo todo, inseguro. Caminha o tempo todo como se estivesse pisando em ovos, e como se cada ovo quebrado fosse uma grande tragédia -- vive como se a vida realmente fosse algo assim, tão sério. Mas sabemos que não é. Ele sabe que não é. Mas não consegue acreditar. Às vezes o funcionamento de algo é tão simples, que ele não aceita; nada pode ser simples, fácil, correr tranquilamente. Tem sempre de haver drama, barreiras, luta. Começou a ler um livro meio auto-ajuda, coisa que detesta, talvez por preconceito, e achou que havia algo ali, uma bóia. O que é uma bóia? Pare e pense: uma bóia é um objeto estúpido cuja única função é flutuar. Mas para quem está afundando, uma bóia vale toda a riqueza do mundo. Não se trata de engrandecer a bóia, mas de aceitar seu valor em determinado momento. E o livro não era bem auto-ajuda. Era um tipo de ABC financeiro que ensina alguém a ficar rico. Ok, admito, é auto-ajuda. Sem desculpas. Sem piedade. Foi a isso que recorreu. Não, recorreu não seria o termo correto. Na verdade o livro repousava na mesa da sala e ele resolveu folhear. Em sua solidão, acabou lendo por mais tempo do que leria de costume. Isso é quase uma confissão. Mas não há padre do outro lado, o que alivia um pouco as coisas. Não há ouvido, olhos. É uma quase confissão no vazio. Um pensamento solitário.
posted by chapeiro 10:31 AM
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Sexta-feira, Setembro 01, 2006
Normal, com sentido, mas sem nada mais além de voltar, ir, verificar sem muita atenção e retornar à base dos sólidos e afáveis círculos de afinidade não-aleatória. Prisão que, de forma oposta à convencional, não tem cadeados; também diferente por ser praticamente inescapável -- é impossível escapar-lhe com qualquer certeza no bolso. Do homem que deu à filha pulseiras feitas com latas de cerveja, nos braços bonitos e inteligentes, de uma simplicidade linda, espero roubar algo invisível, intocável, matéria feita daquilo que por aqui não encontro. As dúvidas são inexplicáveis, e a prisão tem grossas paredes erigidas em vácuo da mais alta qualidade. O nada e as palavras são feitos da mesma matéria, nenhuma.
posted by chapeiro 2:54 PM
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Terça-feira, Julho 11, 2006
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posted by chapeiro 2:48 PM
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Sábado, Julho 08, 2006
Sim e não são boas respostas, mas nenhuma delas me satisfaz. Quero os dois, será que pode?
posted by chapeiro 10:06 AM
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Sábado, Julho 01, 2006
O que seria do mundo sem Marlboro e Coca-Cola?
posted by chapeiro 3:46 PM
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Terça-feira, Junho 27, 2006
Dizem que Otis Redding sempre quis ter um hit, uma música que estourasse e fosse cantada em tudo que é canto, por tudo que é tipo de gente. Em dezembro de 1967, Redding morreu num acidente de avião. Pouco antes, gravara "(Sittin' On) The Dock of the Bay", que, lançada após a sua trágica morte, tornou-se o grande hit que ele tanto queria.
posted by chapeiro 3:41 PM
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Segunda-feira, Junho 26, 2006
Inacreditável
posted by chapeiro 8:52 PM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006
Essa pergunta não é nada cool, mas não resisto: ainda tem alguém aí pelamordedeus?
posted by chapeiro 7:11 PM
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Há muito tempo houve um blog que era preenchido com doses de afetação e pretensão por um sujeito que fingia não ser ambicioso. E que era muito medroso. Um dia ele esqueceu do blog. Um dia ele voltou. "Mas não era mais o mesmo!", diria a imbecilidade, não de todo sem razão. "Nunca se pode entrar duas vezes no mesmo rio", concordaria a cretinice, já abusando da boa vontade. Foi o que ocorreu: algo dito no vazio. São milhões de vozes vazias ecoando no vazio.
posted by chapeiro 7:08 PM
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Sábado, Fevereiro 11, 2006
Seu regador verde de plástico, pra regar flores chinesas de plástico, plantadas em terra de plástico comprada de um homem de borracha, numa cidade cheia de planos de borracha criados para escondê-la de si mesma. Isso a esgota. Vivia com um homem quebrado, um homem em frangalhos, feito em poliestireno, que só esfarelava e queimava. Ele operava garotas nos anos 80, mas a gravidade sempre vencia. Isso era foda. Ela parecia verdadeira, tinha gosto de coisa verdadeira -- meu amor de plástico. Podia explodir pelo teto, se eu saísse correndo. Isso acaba comigo. Se eu pudesse ser quem você queria que eu fosse. O tempo todo.
posted by chapeiro 11:21 PM
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Domingo, Dezembro 11, 2005
Dias atrás o assunto geral era o show do "Flémin Lipis". Antes tinha sido o dos "Istrouquis". Meses atrás, "Uaiti Istraipis". Adolescentes fanáticos trocaram Backstreet Boys e Britney Spears por Strokes e Killers. Voltaram sua fúria adoradora para bandas antes desconhecidas e consideradas cool pelo pessoal moderninho. Antigamente, citar com ar de superioridade bandas desconhecidas era uma cretinice restrita a poucos. Hoje é mania. Com a internet a coisa degringolou: da noite para o dia uma série de neófitos opina em blogs e sites de relacionamento sobre rock alternativo como se fossem eruditos no assunto. Se irritar não adianta. Retrucar também não. Em momentos de crise, é comum buscar respostas consultando, mesmo que hipoteticamente, os grandes sábios, os que estão na raiz da coisa toda. A pergunta a se fazer seria: o que Lou Reed diria/faria a respeito? Provavelmente ignoraria com um ar blasé e algum desprezo eivado de acidez. Daqui a alguns anos essa gente estará fazendo estágio em bancos e ouvindo Kenny G enquanto sonha com um futuro de sucesso que nunca virá.
posted by chapeiro 2:54 PM
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Jorrar ou filtrar? Acaba travando demais ou sai de qualquer jeito? Escrever é cortar palavras? Repetir frases? Questionar? Escrever é não só cortar palavras. Escrever bem é ser inteligente -- mais: é alcançar o sublime; está acima da simples inteligência, do mero talento, do tentar. Escrever bem é conseguir. É percorrer o bom caminho que não existe. É trilhar o caminho da maneira certa, que não é correta nem segue regras. Resumindo: escrever bem é foda.
posted by chapeiro 12:57 AM